Papa Francisco canoniza santa brasileira no Vaticano

30/09/2020 03:34




<p>Santa Dulce dos Pobres. &Eacute; assim que Irm&atilde; Dulce passa a ser chamada ap&oacute;s a cerim&ocirc;nia de canoniza&ccedil;&atilde;o que a tornou santa na manh&atilde; deste domingo (13) na Pra&ccedil;a de S&atilde;o Pedro, no Vaticano. Cerca de 50 mil pessoas, entre elas muitos brasileiros, acompanharam de perto a cerim&ocirc;nia de canoniza&ccedil;&atilde;o, onde tamb&eacute;m foram celebrados outros quatro novos santos: um cardeal ingl&ecirc;s, uma freira italiana, uma freira indiana e uma catequista su&iacute;&ccedil;a. Antes da missa, a cantora baiana Margareth Menezes, o padre Antonio Maria e o sanfoneiro cearense Waldonys tocaram e cantaram no altar a m&uacute;sica oficial da canoniza&ccedil;&atilde;o.</p> <p>O Papa Francisco iniciou a celebra&ccedil;&atilde;o neste domingo recebendo as rel&iacute;quias dos cinco canonizados. De Irm&atilde; Dulce, o l&iacute;der religioso ganhou uma pedra de ametista com um peda&ccedil;o do osso da costela da santa, em seguida, o prefeito da Congrega&ccedil;&atilde;o, cardeal Angelo Becciu, fez o pedido em latim para que Irm&atilde; Dulce e os&nbsp;outros quatro beatos&nbsp;se tornassem santos. O pronunciamento durou cerca de 7 minutos. Ap&oacute;s o pedido, Papa Francisco recitou a f&oacute;rmula de canoniza&ccedil;&atilde;o,&nbsp;tornando Irm&atilde; Dulce e os outros quatro beatos santos: &ldquo;Em honra da Sant&iacute;ssima Trindade, pela exalta&ccedil;&atilde;o da f&eacute; cat&oacute;lica e para incremento da vida crist&atilde;, com autoridade de nosso senhor Jesus Cristo, os santos ap&oacute;stolos Pedro e Paulo, depois de haver refletido longamente, ter invocado a ajuda divina e escutado o parecer de muitos irm&atilde;os do episcopado, declaramos e definimos santos os beatos: John Henry Newman, Giuseppina Vannini, Mariam Thresia Chiramel, Dulce Lopes Pontes e Marguerite Bauys&rdquo;, declarou o Papa, em latim durante o rito da canoniza&ccedil;&atilde;o.</p> <figure id="attachment_3443" class="thumbnail wp-caption alignright"></figure> <p><strong>A Hist&oacute;ria</strong></p> <p>Irm&atilde; Dulce nasceu em Salvador, da Bahia, em 1914, e morreu em 1992. Destacou-se por sua perseveran&ccedil;a em prol de projetos dedicados aos mais necessitados, ao mesmo tempo em que se movimentava entre os representantes do poder para conseguir apoio a seu trabalho de caridade.<br />Ela abra&ccedil;ou a vida religiosa aos 18 anos e a caridade aos 12, quando uma tia levou-a para conhecer a favela dos Alagados, em Salvador. Foi quando decidiu alimentar os pobres a ajudar os enfermos na porta de casa. D&eacute;cadas depois, as doa&ccedil;&otilde;es de poderosos como Norberto Odebrecht &nbsp;que sucumbiria com a Lava Jato), de quem foi amiga durante 50 anos, foram embri&atilde;o das Obras Sociais Irm&atilde; Dulce (OSID), que hoje contam com um complexo hospitalar e um orfanato e que beneficiam a mais de tr&ecirc;s milh&otilde;es de pessoas anualmente.</p> <p><strong>Dos milagres &agrave; canoniza&ccedil;&atilde;o</strong></p> <p>Dois milagres foram levados em considera&ccedil;&atilde;o para que&nbsp;Irm&atilde; Dulce, conhecida como &ldquo;O Anjo bom da Bahia&rdquo;, pudesse se tornar a primeira santa nascida no Brasil. O primeiro reconhecido de Irm&atilde; Dulce, que levou &agrave; sua&nbsp;beatifica&ccedil;&atilde;o,&nbsp;ocorreu em 2001, nove anos ap&oacute;s sua morte.&nbsp;Foi um caso de p&oacute;s-parto de uma moradora da cidade de Malhador, no interior de Sergipe. De acordo com o m&eacute;dico Sandro Barral, um dos investigadores e peritos que confirmaram o milagre, a paciente apresentava um quadro de forte hemorragia n&atilde;o control&aacute;vel. Em um per&iacute;odo de 18 horas, a mulher chegou a passar por tr&ecirc;s cirurgias, mas o sangramento n&atilde;o cessava. Contudo, sem nenhuma interven&ccedil;&atilde;o m&eacute;dica, e ap&oacute;s pedir a intercess&atilde;o de Irm&atilde; Dulce, a hemorragia subitamente parou e a paciente se recuperou.<br />O&nbsp;mais recente milagre a ser reconhecido tem rela&ccedil;&atilde;o com o maestro Jos&eacute; Maur&iacute;cio Moreira, de Salvador. Hoje com 50 anos de idade, o homem ficou cego ap&oacute;s um glaucoma e voltou a enxergar ap&oacute;s 14 anos depois de rogar para que Irm&atilde; Dulce o ajudasse a curar a dor provocada por uma conjuntivite. O milagre teria ocorrido ap&oacute;s o homem pedir a Irm&atilde; Dulce para interceder por ele pouco antes de dormir, por causa das dores que estava sentindo. Quando acordou, no dia seguinte, o homem havia melhorado da doen&ccedil;a e voltado a enxergar. O glaucoma danifica o nervo que liga o olho ao c&eacute;rebro e, conforme especialistas, &eacute; cientificamente imposs&iacute;vel que uma pessoa sem o nervo &oacute;tico saud&aacute;vel possa enxergar. &Eacute; poss&iacute;vel tratar a doen&ccedil;a com col&iacute;rios e at&eacute; mesmo com cirurgia, para reduzir a press&atilde;o ocular, mas uma vez que a pessoa perde a vis&atilde;o, n&atilde;o consegue mais recuperar.<br />O processo de canoniza&ccedil;&atilde;o da Irm&atilde; Dulce &eacute; o terceiro mais r&aacute;pido da hist&oacute;ria (27 anos ap&oacute;s o seu falecimento), atr&aacute;s apenas da santifica&ccedil;&atilde;o do Papa Jo&atilde;o Paulo II (9 anos ap&oacute;s sua morte) e de Madre Teresa de Calcut&aacute; (19 anos ap&oacute;s o falecimento da religiosa).<br />Segundo o Irm&atilde;o Eudes, FSA, presente na canoniza&ccedil;&atilde;o de Irm&atilde; Dulce, contemplar a santidade &eacute; um cont&iacute;nuo trabalhar, de forma incans&aacute;vel pelo reino de Deus, sem esperar nada em troca. &ldquo;Penso que foi isso que aconteceu com nossa amada Santa Dulce dos Pobres. Ela, uma mulher de sa&uacute;de fr&aacute;gil, por&eacute;m de uma for&ccedil;a de gigante. Ir. Dulce que com seu jeito forte de amor ao nosso Senhor n&atilde;o se contentava em servir a Deus somente na comunidade religiosa, algo a impulsionava a ir ao encontro dos mais simples, dos que necessitavam de cuidados. Penso que o bom Deus sempre chama nossa aten&ccedil;&atilde;o, e uma das formas que despertou a Ir Dulce foi em estar diante daqueles que aos olhos da sociedade n&atilde;o tinham mais jeito. No mundo em que vivemos marcado por tantas desigualdades, o testemunho de Santa Dulce dos Pobres, deve ser como que inspira&ccedil;&atilde;o para trilhar a via da santidade&rdquo;. Eudes concluiu dizendo que, &ldquo;me sinto honrado em participar da segunda canoniza&ccedil;&atilde;o de nossos santos brasileiros. A primeira foi dos Protom&aacute;rtires do Brasil, e agora a Santa Dulce dos Pobres. Posso dizer que foi uma das mais belas experi&ecirc;ncias que vivi, me sinto orgulhoso em falar que no nosso Brasil temos santos, grandes santos&rdquo;.</p> <p><strong>Ora&ccedil;&atilde;o &agrave; Irm&atilde; Dulce</strong></p> <p><em>Senhor nosso Deus, lembrados de vossa filha,</em> <em>a santa Dulce dos Pobres,</em> <em>cujo cora&ccedil;&atilde;o ardia de amor por v&oacute;s e pelos irm&atilde;os,</em> <em>particularmente os pobres e exclu&iacute;dos, n&oacute;s vos pedimos:</em> <em>dai-nos id&ecirc;ntico amor pelos necessitados;</em> <em>renovai nossa f&eacute; e nossa esperan&ccedil;a</em> <em>e concedei-nos, a exemplo desta vossa filha,</em> <em>viver como irm&atilde;os, buscando diariamente a santidade,</em> <em>para sermos aut&ecirc;nticos disc&iacute;pulos mission&aacute;rios</em> <em>de vosso filho Jesus.</em> <em>Am&eacute;m.</em></p>

Equipe de Comunicação Segue-me Natal

   

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